NÃO ENTRE DOCEMENTE

quarta-feira, maio 13, 2015


Há tempos quero escrever este texto, em uma madrugada qualquer de terça-feira às 2h da madrugada, estava pensando sobre o porque de eu ter medo das coisas se encaixarem ou simplesmente o fato de não conseguir ver o lado positivo das coisas, pois é bem quando tudo se encaixa, meu cérebro instintivamente pede mudanças, é a cidade que já não é boa, a faculdade que não deve ser melhor, é os amigos. Quando na verdade a cidade começa a cada dia ser sua casa, a faculdade está te fazendo feliz, os amigos, ah! Estes estão começando a ser seu ponto de apoio, e é ai que tudo
buga, tudo deseja ser diferente.

Mas, porque ser assim? Porque querer o novo a cada minuto, quando o presente está perfeito? Sabe, não sei as respostas para estas perguntas, mas sei que não consegui encontrar razão para tantas cobranças. Muitas das vezes eu não consigo me sentir feliz com pequenas atitudes, não consigo brincar comigo mesma, não consigo rir de mim, ser divertida sem se importar. Queria saber brincar, rir, me divertir, não levar as coisas tão a sério, queria poder ter a minha idade, queria voltar a ser a garota que eu era aos 16, brincalhona, divertida, corajosa e destemida.

Hoje, fico chateada com muita coisa inútil e pouco brinco, meus relacionamentos, mesmo aqueles de amizade, não duram muito, como nunca duraram, e são poucos, sempre foram dois ou três e hoje não é diferente. Estou feliz onde estou, estou feliz com meus novos amigos, estou feliz com o fato de me adaptar, mas algo ainda soa estranho, e hoje, percebo que não consigo aceitar, por mais que diga o contrário, o fato de não ser boa suficiente em algo, não sei tocar nenhum instrumento tampouco cantar, não sou perfeita em nada, nem sou a melhor no que faço, mas consigo ser um pouco de cada coisa, sem ser muito positiva, mas percebo que cansei de ver apenas a realidade das coisas.

Eu me cobro em uma prova que tirei média e não fico feliz naquela que fui bem, é como se minha obrigação fosse esta. Tenho que aprender a ser feliz nas pequenas coisas, caso contrário nunca me amarei o suficiente para receber as grandes. Eu me cobro em uma palavra mal falada, me cobro por um olhar de desapontamento, me cobro calada, como as coisas sempre aconteceram, em silêncio. O que respondi hoje ao meu professor (o melhor, assim posso dizer) responde também a uma das minhas dúvidas, é a criação. Talvez eu não tenha sido criada para questionar autoridades, talvez eu fui induzida a acreditar que elas sempre estão certas, mesmo não estando.

Qual a pergunta? Na verdade um comentário. “Ela é uma excelente aluna, assim como você, mas a diferença que vejo é que como jornalista, ela questiona muito mais e você deve questionar as coisas também, não aceite tudo passivamente”, eu fiquei em silêncio, e respondi apenas “talvez seja minha criação” e agora, às 23h39min do dia 01 de outubro de 2014 percebo que sim, mas também não.

Eu sempre questionei as atitudes das pessoas quando eu fazia um pedido, meu pai respondia os meus porquês me fazendo entender o motivo, minha mãe respondia apenas que porque sim e estava acabado. Com o tempo parei de questionar as pessoas porque elas se sentiam afrontadas com o meu questionamento, fora isso, uma advertência que eu sempre levei foi por questionar a autoridade das pessoas e o que elas falavam. Acho que nessa época eu era mais jornalista do que hoje.

Não questione o que está sendo dito, eu acreditava, se minha professora de biologia, dissesse que estava correto, estava correto, era apenas isso que eu levava em consideração. Não acredito em boa parte do que os jornalistas dizem, mas não questiono o que não conheço. Tenho tendência a aceitar passivamente o que dizem que está errado, não questiono, sigo apenas a regra do jogo.

Outro fato importante a ser discutido é o fato de que não consigo expor minha opinião sem ser abordada, fato este que deveria ser normal para uma acadêmica de jornalismo, mas sou palavras e a vida voz. Não espere ouvir minha opinião ou meu pronto atendimento em caso de disponibilidade, eu não farei sem ser perguntado ou ter a palavra direcionada a mim. Tenho iniciativa em fazer, nunca em falar. Não sou tímida, mas as palavras me entendem melhor do que qualquer som de voz.

Recebi o elogio, adorei, mas o que marcou foi a critica construtiva, eu deveria ter ficado feliz, mas minha pouca aceitação e minha mania de autocobrança não me deixam felizes com atos pequenos que mudariam meus dias. Talvez eu deva dar voz a minha mente, deixar voar, deixar errar, perceber que errar é aprendizado e não punição. É se permitir.

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