O caso Marina Joyce e a empatia por mulheres em situação de abuso

quarta-feira, julho 27, 2016

Olá, pessoal! Como vocês estão? No post de hoje, decidi discutir o caso Marina Joyce e a questão da empatia por mulheres em situação de abuso. Para quem não sabe, está rolando na internet diversos tweets e compartilhamentos de trechos de vídeos da Youtuber britânica Marina Joyce, uma jovem de 19 anos que produz vídeos de moda para o seu canal, em provável situação de abuso. Em comparação a vídeos antigos, fãs perceberam que ela estava apresentando atitudes estranhas durante as novas postagens, tais como: olhar assustado e sem foco diante da câmera, hematomas pelos braços e pernas, barulho de suposta corrente em seus pés, uma arma ao fundo de seu quarto, grades na janela do mesmo e um sussurro de ajuda num vídeo em que ela mostra seu look. Há diversas hipóteses sobre o que está acontecendo com ela, porém a primeira que surgiu é a de que Marina estaria sofrendo abuso psicológico e físico, assim como poderia estar sendo mantida sob cárcere privado. Além disso, muitos discutem a possibilidade de ela ser usuária de drogas, o que explicaria os sinais que seu corpo está demonstrando. Porém, eu, particularmente, discordo que possa ser - apenas - isso.


Pois bem. A discussão de hoje não é sobre quem é Marina Joyce ou qual "teoria da conspiração" do Twitter está certa em relação ao seu caso. Na verdade, eu queria discutir como a internet e a sociedade lidam com situações prováveis de violência sendo sofrida por mulheres. Imaginem a seguinte situação: você, pessoa comum (que não é Youtuber, blogueira, modelo, atriz, cantora ou famosa do Instagram), possui uma amiga também comum, a qual apresenta um jeito sorridente e tranquilo ao se relacionar com pessoas ou ao aparecer em fotos e vídeos. Em certo momento você observa que ela está com alguns hematomas pelo corpo, grandes e em locais visíveis. Também percebe que ela fica cada vez mais tímida e demonstra preocupação em sua voz, sem motivo aparente. Além disso, observa, em sua casa, que seu quarto apresenta algumas mudanças em relação à segurança do local. O que você, nessa situação, imaginaria? A primeira coisa que se passa pela nossa cabeça é a possibilidade da pessoa estar sofrendo algum tipo de violência doméstica. No mínimo, de que ela precisa de ajuda e não tem voz para fazer em alto e em bom som o pedido de socorro. Nesse caso, a última coisa que a gente faz é piada com a situação. Porque ela simplesmente não tem graça. A gente precisa ter empatia, acreditar - infelizmente - no pior, para que nós não negligenciemos mais uma mulher. A nossa sociedade, sozinha, já faz isso. Quando uma mulher apanha (para deixar claro: eu odeio essa palavra) de seu marido, as pessoas perguntam o motivo daquilo acontecer. Quando uma mulher diz que foi estuprada, as pessoas perguntam o que ela estava usando na ocasião. Quando uma mulher se sente coagida por seu companheiro, as pessoas dizem que é o jeito dele e que aquilo é normal de acontecer por ele ser homem. Quando uma mulher tenta fugir de um contexto tóxico e perigoso, as pessoas simplesmente viram as costas para ela. As pessoas SEMPRE desacreditam as denúncias de mulheres e as fazem provar que estão sendo vítimas de uma situação. As fazem provar que estão em perigo. Porém, quando isso acontece, muitas vezes, já é tarde demais. A gente precisa abrir os olhos quanto aos detalhes. Quanto ao silêncio. Quanto ao que o corpo fala, não só a boca. Não basta querer acreditar que está tudo bem com alguém numa situação suspeita e que "só pode ser coisa da nossa cabeça". A gente precisa seguir nossos instintos. Por isso, não neguem ajuda, mesmo que pequena, às mulheres que estão em um relacionamento abusivo, estão sendo negligenciadas ou sofrendo em silêncio. Não neguem ajuda às mulheres com depressão, problemas com drogas ou bebidas. Façam o mínimo: acreditem nelas. Não importa se é famosa ou desconhecida. Façam barulho, deem voz às vítimas. E, por favor, parem de levar tudo na brincadeira. A gente torce sempre pelo melhor e por desfechos felizes, mas isso só acontece quando há apoio para isso. A principal mensagem é: tenham empatia. É o mínimo que a gente pode demonstrar em momentos como esses. Esperamos, sim, que estejamos erradas. Mas até lá, o silêncio não pode se sobressair.


Se você, mulher, está passando por uma situação semelhante, não fique em silêncio. Você não está sozinha. Para pedir ajuda:

1 - Ligue para o 180 - é um número próprio para denunciar a violência contra a mulher (a denúncia é anônima e gratuita, disponível 24h em qualquer lugar do país);

2 - Pense em fazer um Boletim de Ocorrência - ao fazer isso, você poderá entrar com uma medida protetiva sob a Lei Maria da Penha, a qual obrigará o agressor a se manter longe;

3 - Conheça plataformas e páginas que existem para te dar voz - Plataforma GEM (Universidade Federal da Paraíba), páginas do Facebook como: Ele é da USP, Violência Contra A Mulher, Não Me Kahlo, Moça, seu relacionamento é abusivo, Todas As Fridas33 dias Sem Machismo, entre outras;

4 - Converse com alguém - Se precisa simplesmente desabafar ou conversar com alguém, existem números para ligar e sites para contactar, como, por exemplo, o CVV (Centro de Valorização da Vida). Para transtornos e dependências, há as seguintes opções: ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos); Narcóticos Anônimos (para os casos de dependência química); Neuróticos Anônimos (para os casos de sofrimento com neuroses); Alcoólicos Anônimos (para os casos de dependência alcoólica).

Bom, pessoal, espero que vocês tenham refletido um pouco mais sobre o assunto e não ignorem a questão levantada. Além disso, caso vocês tenham informações, sugestões de páginas, grupos e locais para ajudar mulheres em situação de perigo, comentem aqui! É necessário falar sobre isso, sempre que pudermos e tivermos espaço.

Até a próxima,

Beijos,

Isabela.


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2 comentários

  1. Adorei, Pe! Adorei como vc falou sobre o assunto de um jeito diferente do que ta todo mundo falando, ficou muito bom! :)

    Beijo,
    Cami.

    www.delamila.com

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    1. Obrigada Mila, a Isabela manda muito bem nos textos né?

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