Desculpe o transtorno, preciso falar da faculdade

quinta-feira, setembro 15, 2016


Conheci ela em um dia especial, eu estava ansiosa. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém que está indo em busca de um sonho. Jornalismo é complicado, realmente não é para qualquer um. Eu sempre digo que ele permanece equiparado em uma balança de amor e ódio. Não conhecia ninguém ali. Mas eu estava lá, encarando o mundo. Nunca vou me esquecer da primeira pessoa para quem eu disse: Olá.

Enquanto as meninas desfilavam em seus saltos, eu andava com meu all star. Quando iam pras baladas, eu estava em casa estudando. Enquanto marcavam de sair, eu ainda me sentia perdida. Mas, estávamos por lá, com os mesmos olhos castanhos, estilo rocker e um medo aparente no olhar. Aliás, eu não fazia ideia do que estava fazendo e provavelmente não sei até hoje. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.

Passamos algumas madrugadas em monólogos e discussões sobre mídia, imprensa, cultura, gênero e política. De lá trocamos de computador duas vezes e celular três. É preciso muita memória para suportar ilustrador, photoshop, premiere entre tantos outros programas que o jornalista usa, aliás, são meus preferidos. 

Não foi namoro, nem paixão, mas eu tinha 18 e queria escrever, acho que a vida real começava ali. Vimos várias séries, nas férias claro, não consigo conciliar sociabilidade e estudo. Aprendi a cozinhar, ou ia morrer de fome. Queimei a comida algumas vezes e quase coloquei fogo na casa em outras, simplesmente porque o trabalho me chamava no notebook. O segundo acredito. Mudei de quarto e os móveis não foram pensados para passar pelas portas, então tivemos que desmontar. Fizemos novos amigos. Jornalistas conversam muito, talvez essa seja uma dica valiosa. Fizemos notícias, reportagens, entrevistas, programas de tv e rádio, nos apaixonamos e como todo mal casamento o amor acaba e vira companheirismo. Mas não acabou, esfriou, mas esquentou. Fizemos gravações, rimos, choramos e desesperamos. Fiz uma viagem maravilhosa, mas foi só uma, porque sou dessas que não sai em bando, mesmo amando. Dos 20 últimos livros que li, 18 eram da faculdade. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de participar de movimentos feministas e fazer matérias sobre jornalismo literário.

Um dia, iremos terminar. E não será fácil. Irei chorar mais que na formatura do ensino médio quando acreditei que aqueles seriam meus melhores amigos pra sempre. Mais que assistindo filmes que me fazem pensar sobre a vida. Até hoje, tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: que dia vai aparecer na Globo? Parece que, pra sempre, essa vai ser a questão. Se ao menos eu gostasse de TV, poderia tentar brilhar no plim plim.

Essa semana, pela primeira vez, pensei realmente no meu futuro. Achei que fosse chorar de desespero novamente, mas isso não é uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado em rádio, TV, fotos e eventos  —e em outros tantos vídeos e crônicas. Não falta nada. Mas prof, por favor, não mostra pra ninguém porque tenho vergonha. SIM, AINDA TENHO!

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